Semana 3: rotinas de trabalho na tumba
Começamos a terceira semana de campanha em um domingo, assim como na semana anterior, e já estranhamos começar a trabalhar no fim de semana. Como em todos os dias, o trajeto até a tumba na arabeia transcorria silencioso, cada um(a) pensando, disfrutando da paisagem e da experiência de trabalho em Luxor. Esta introspecção se rompia quando víamos no céu alguns balões nos sobrevoando. Nessa hora já começavam a descer e nós os contávamos, parecendo crianças que brincavam de quem via e contava mais deles!

Quando chegamos ao sítio, as equipes de trabalho começaram a realizar suas tarefas de maneira automática e organizada. Durante toda a semana, continuamos com o relevamento das paredes, das cenas e da estrutura toda para, dessa maneira, sistematizar através de fotos e relatos, as condições integrais do monumento.
Um dos grupos de trabalho continuou a tomada de medidas, mais minuciosas, do exterior e do interior da tumba. Contávamos com três plantas: uma sem escala, que datava de 1927, e que foi realizada por Porter e Moss, com uma numeração de sete paredes (as paredes são numeradas para identificar as cenas que elas contêm e saber a que parede se faz referência); outra que se realizou em 1960, e que incluía dez paredes; e uma terceira, feita na escala da tumba, realizada em 1996 por Kampp, mas que não incluía a identificação das cenas e sua numeração. Nós, então, devíamos realizar uma planta própria, com escala, e numerar aquelas paredes que ainda não estavam numeradas e os tetos que não haviam sido incluídos; por isso, essa tarefa foi muito dura.


Enquanto uma grande equipe trabalha fora, dentro se trabalhava a cada duas horas, até realizar a troca de turno. A equipe que teve uma tarefa difícil foi a de conservação, já que devia olhar cuidadosamente as paredes e os tetos, registrar os danos, através de fotografias e de maneira escrita, para poder planejar futuras estratégias para a conservação.



Logo, ingressava a equipe seguinte para realizar um levantamento, também muito detalhado, das cenas. Aquelas que estavam completas não necessitavam de muita atenção, mas as que estavam danificadas, continham pinturas sobrepostas, estavam destruídas ou deterioradas requeriam que buscássemos informação e estudássemos para identificar aquilo que faltava.
Por último, entrava o grupo que se dedicou a registrar o que estava escrito em hieróglifos. Graças a este trabalho, foi possível descobrir membros da família de Amenmose dos quais não havia conhecimento e algumas atividades rituais e funerárias.

Ao terminar a jornada de trabalho, a arabeia estava nos esperando para voltar para casa. O regresso já não era em silêncio, já que, mesmo esgotados, estávamos muito alegres. Além disto, quase todos os dias o motorista fazia tocar "Despacito", como uma espécie de hino latino-americano.



